Coocaram - Café Comércio Justo

9/09/2009

Cafés sombreados na Amazônia

A cultura do café é cultivada na região central do estado de Rondônia desde a sua acentuada colonização durante as décadas de 1960 e 1970. No início cultiva-se a espécie arábica (Coffea Arábica) e posteriormente foram sendo substituídas pela espécie Robusta (Coffea Conephora), em função de sua melhor adaptação. Este pequeno texto não tem a pretensão de ser científico quanto ao tema sombreamento do café, mas sim relatar as experiências empíricas dos agricultores e agricultoras sob o prisma da agricultura familiar e agroecologia.

A cafeicultura, ainda hoje, mesmo com a ausência de pesquisas e investimentos públicos, como assessoria técnica, constitui-se a principal atividade econômica de muitos agricultores e agricultoras familiares do estado de Rondônia. É pertinente enfatizar que em Rondônia a cafeicultura é uma atividade quase que estritamente de cunho familiar e que foi propulsora do desenvolvimento de muitas cidades.

Nos últimos três anos tem-se questionado bastante a condição de permanência dessa atividade como forma de geração de renda para a agricultura familiar, em função das condições climáticas/pluviométricas que fazem com que a produção e produtividade sejam cada vez menores, considerando o modelo predominante de cultivo do café em forma de monocultura.

Paradoxalmente, destaca-se com muito êxito a experiência de produção do modelo agroecológico da cafeicultura sombreada. Esse modelo vem sendo desenvolvido e aplicado a mais de 20 anos por agricultores e agricultoras familiares ligados ao Projeto Padre Ezequiel (PPE) da diocese de Ji-Paraná/RO, COOCARAM e pelo Projeto Terra Sem Males (PTSM) da CPT – Comissão Pastoral da Terra/RO. Seu mérito deve-se ao fato de que mesmo com uma menor incidência de chuva no período de floração do café, este consegue uma produção superior ao do modelo da monocultura, já que com o sombreamento a umidade fica retida no solo por mais tempo e a planta está mais forte devido a menor intensidade do sol.

Em alguns municípios de Rondônia, já por três anos consecutivos, não se consegue produzir café em razão do grande déficit hídrico no período de floração. Diante dessa situação, o pensamento dominante do modelo monocultivo, logo propugnava a irrigação das lavouras.  Não que essa não seja uma alternativa. A grande questão é que os rios, nas regiões cafeeiras do estado, estão altamente degradados e que os sistemas de irrigação propostos foram extremamente consumidores de água e energia.

Os resultados alcançados com o sombreamento dos cafezais são imensos. Este deve ser parcial para não prejudicar o desenvolvimento arbóreo da planta cafeeira. Verifica-se no modelo produtivo agroecológico sombreado do café, além da já citada produtividade maior, um baixíssimo índice de broca do café (Hypothenemus hampei), uma melhor condição estrutural física, química e biológica do solo, maior capacidade de absorção de água, pouquíssimos problemas com ataques de insetos, já que há um melhor equilíbrio do sistema, e principalmente, permite que o agricultor/agricultora trabalhe na sombra.

A COOCARAM entende que esse é o modelo a ser seguido por seus cooperados e cooperadas. Atualmente 30% dos cooperados já o adota. As principais experiências estão localizadas nos municípios de São Miguel do Guaporé, Ministro Andreazza, Ouro Preto d’Oeste, Vale do Paraíso, Mirante da Serra e Alto Paraíso. Há também experiências que não estão no âmbito de atuação da COOCARAM, PPE, e PTSM.

Entre as espécies arbóreas que mais favorecem a cultura do café estão o ingá (Inga edulis), a embaúba (Cecrópia pachystachya)  e outras espécies até então entendida como leguminosas pertencentes à família das Fabáceas, Mimosáceas e Caesalpinaceas. Pode se optar também por espécies frutíferas de valor comercial ou não, entendendo que o sistema deve ser o mais diversificado possível. Cada agricultor poderá desenvolver seu próprio sistema pelo princípio da observação.

Por fim, cabe destacar que o modelo agroecológico da cafeicultura sombreada é aceito como recomposição florestal para superar o passivo ambiental que há em muitas propriedades rurais do estado de Rondônia.

Cafés verdesCafés verdes - Comércio Justo
ProcessamentoCafé Torrado e moídos - Onde comprar?
Frutas agroecológicasFrutas agroecológicas
DoDesign-s Design & Marketing